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terça-feira, 20 de maio de 2014

O LADO FEMININO DO HOMEM - Por Nicéas Romeo Zanchett




O LADO FEMININO DO HOMEM 
Por Nicéas Romeo Zanchett 
                   Em seu "Banquete", há 25 séculos, Platão já dizia que em tempos que a memória pouco podia alcançar houve uma espécie humana estranha, denominada andrógina, nem homem nem mulher. Eles, ou elas, existem e estão por aí. 
                   Entre os romanos, o andrógino era considerado o ser perfeito. 
                   O mito grego, com profundas raízes na verdadeira natureza humana, o andrógino participa de ambos os sexos. Freud ja tinha vislumbrado essa verdade ao declarar: "Todo o ato sexual é um acontecimento que envolve quatro pessoas". Esse tema foi aprofundado por Jung e confirmado pela biologia; graças à química moderna e à teoria dos hormônios, hoje sabemos ser impossível falar em sexo (masculino ou feminino) puro. 
                   Há no amor sexual uma contradição que desafia a lógica. A sexualidade é separação e união, antagonismo e atração.  Como sugere Freud em sua última definição do ato sexual: "Uma agressão que busca a união mais íntima". O sexo é apenas uma das formas do dualismo universal. O andrógino é, ao mesmo tempo, o símbolo da indistinção primordial e divina e de toda a experiência que leva o homem a reintegrá-la. Esta é a doutrina do mito iniciático que figura na maior parte das grandes tradições sagradas do Oriente e do Ocidente; nelas encontramos algumas variantes, mas sobretudo, com elementos constantes. 
                  O andrógino é o símbolo da identidade suprema na maioria dos sistemas religiosos. Representa o nível do ser "não metafísico", a fonte da manifestação, que corresponde ao zero - a soma dos dois aspectos da unidade +1 - 1 = 0.  O zero , como ponto de início da numeração, simboliza a androginia, a divisibilidade e a multiplicidade. Assim, os espíritos libertos das leis dos mortais, com facilidade assumem o sexo e a forma que lhes aprouver.  Na sua trajetória para a transcendência total, os místicos atravessam experiências alucinógenas de amor e matrimônio, nas quais se tornam cônjuges apaixonados do seu deus.
                  - "Como dizes que Deus possui os dois sexos, ó Trismegisto?" - "Sim, Asclépio, e não apenas Deus, como todos os seres animais e vegetais". No princípio havia um ser (ou vários) que possuía os dois sexos. Ele se dividiu ou se deixou dividir em duas metades: uma masculina, a outra feminina. Mas com a separação, com corte, dirá Platão, surge o desejo de reconstituir a indistinção. O tema que é antigo (ver em "Banquete" de Platão) foi inteiramente revolucionado por Jung em sua "Psicologia do Inconsciente". A contradição interna do mecanismo sexual e o aspecto profundo das coisas, se revela sob a forma de uma síntese dos contrários. Nesse aspecto, os canais eróticos deixam transparecer o esquema biológico. A transferência da célula doadora, masculina, para a receptora, feminina, se dá pela violação sofrida pela segunda. Todos esses aspectos se refletem no comportamento normal do homem, com suas tendências poligâmicas, conquistadoras e dominadoras e da mulher, na sua condição de monogâmica e fiel, mas também muitas vezes possessiva. Todas as aberrações humanas, encontram seu modelo na evolução extraordinária do seu amor animal. É uma espécie de condicionamento biológico da imaginação, onde inexiste solução de continuidade entre o comportamento animal e o comportamento humano; assim, podemos dizer que o homem, na sua essência, é um animal sexual. 
                 Ânima, que significa "alma" em latim, é o termo que o psicólogo  Carl Gustav Jung escolheu para designar o comportamento feminino que existe na psique masculina. Para ele, toda a aventura espelha, simbologicamente, o encontro necessário que todo o homem deve ter com a sua própria "ânima", a sua alma, para poder trilhar com êxito o caminho da "individualização" - o encontro consigo mesmo, com seu "Self".
                Hoje, mais do que nunca, vivemos a necessidade urgente de redefinições importantes, como aquelas que dizem respeito ao sentido real do masculino e do feminino e as das identidades de homem e de mulher no mundo contemporâneo. Precisamos descobrir quais são as novas imagens do homem e da mulher no atual momento histórico. O que é ser homem ou mulher e seus reais papéis no contexto constantemente mutável da nossa sociedade multicultural? É impossível encontrar a si mesmo ou descobrir qual é sua função no mundo enquanto não definir, pelo menos em grau razoável, os traços reais dessa identidade. Todo esse processo de autodescoberta passa, necessariamente, pela conscientização e pelo aprendizado das nossas dualidades internas.  Carl Jung dizia: "o homem é masculino por fora e feminino por dentro; a mulher é feminina por forma e masculina por dentro". Em outras palavras, a ânima, o componente feminino que existe na psiquê do homem; e a ânima, o componente masculino que existe na psiquê da mulher. Ele sabia muito bem que esse "tipo" que expressa a ânima é um complexo dos opostos. 
                  Há um "tipo" definido de mulher que sempre reaparece e Jung tomou a si a tarefa de descrever alguns de seus traços básicos, servindo-se para tanto de suas próprias vivências da ânima, daquelas de seus pacientes e dos registros da literatura, da pintura, da mitologia e do folclore. Segundo sua teoria, a ânima é o componente feminino no interior da psiquê masculina e a  ela corresponde uma imagem que a expressa. Essa imagem de mulher que os homens carregam é supra-individual, ou seja, possui características comuns em homens distintos, mesmo de épocas ou culturas diversas. 
                   A ânima é bipolar e portanto pode aparecer como positiva  num momento e negativa no outro; ora jovem, ora velha; ora mãe, ora donzela; ora uma fada boa, ora uma bruxa; ora santa, ora prostituta. Além dessa ambivalência, a ânima também tem conexões "ocultas" com "mistérios"; com o mundo de escuridão em geral, e por essa razão costuma ter uma aura religiosa. Via de regra ela é mais ou menos imortal, por estar fora do tempo; sempre que emerge com algum grau de clareza, se relaciona de modo peculiar ao tempo. 
                  A sabedoria hindu nos ensina: "A união dos sexos é a única realidade; a existência separada deles é uma ilusão". É a descoberta dos hormônios que justifica esta interpretação do amor sexual. Cada vez mais se impõe à nossa atenção o fato de existir uma tendência complementar, comum talvez à matéria animada e inanimada, a fundir, reagrupar, retrogradar e reintegrar seu estado original, voltar à unidade; a atração dos sexos poderia ser apenas uma das modalidades, a oportunidade oferecida ao casal para compensar a divisão dos sexos, para remediar a dualidade do amor. 
Nicéas Romeo Zanchett 
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"Coração desgastado, num tempo degastado, 
Liberta-te das redes do bem e do mal; 
Sorri outra vez, coração, no cinzento crepúsculo; 
Suspira, coração, de novo com o orvalho da manhã!"
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(Transcrito de Poemas Escolhidos, Londres, 1950)
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Nicéas Romeo Zanchett 


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

ASSUMINDO A PRÓPRIA SEXUALIDADE


ASSUMINDO A PRÓPRIA SEXUALIDADE 
Por Nicéas Romeo Zanchett 

                    Já vai longe o tempo em que as pessoas, principalmente os jovens, reprimiam sua vontade de novas experiências sexuais. Hoje existe muita abertura para as mais diversas formas de experiências, inclusive a homossexual. Essa abertura para experimentações tornou-se um traço marcante do comportamento jovem, tanto na questão heterossexual como homossexual.  São transformações bem visíveis, principalmente entre as garotas na faixa de 13 a 17 anos. Elas já não sentem inibição para testar, por exemplo, o beijo sensual entre amigas. Vale observar que essa atitude não significa que sejam ou venham a ser necessariamente lésbicas. Na verdade elas encaram o fato como uma forma de demonstrar liberdade e ausência de preconceito. Os jovens  de hoje não tem a menor dificuldade em assumir o hábito de "ficar" com diversas pessoas durante uma balada, coisa que seria inaceitável há alguns anos. Mesmo aqueles que não participam desta diversão, não se incomodam com a visão de pessoas do mesmo sexo se beijando. 

                 Uma pesquisa recente, feita pelo DATAGLS com mais de 10 mil homossexuais brasileiros, mostrou que eles estão se assumindo mais cedo. O censo indicou que 73% dos gays entrevistados se assumiram antes dos 24 anos de idade. O estudo apresenta ainda os surpreendentes números dos Estados Unidos que demonstram que a idade média em que as pessoas se dão conta dos desejos homossexuais (ou assumem para si mesmos) caiu nas últimas décadas. Na década de 60 ela era de 14 anos para os meninos e 17 para as meninas. Nos anos 90 passou a ser de apenas 10 anos para os meninos e 12 para as meninas. 

                    Os adolescentes de hoje não se sentem embaraçados pela ambiguidade sexual. O habitual uso de categorias sexuais para separar, isolar ou discriminar a sexualidade está diminuindo de maneira acelerada. Para muitos, ser rotulados de gay não tem muita importância. Cada vez mais, os adolescentes se redefinem e reinterpretam sua sexualidade de tal forma que possuir uma identidade gay, lésbica ou bissexual praticamente não tem nenhum significado. Estamos diante uma nova visão naturalizada da sexualidade humana. 

                   As mudanças em direção a uma maior aceitação da diversidade sexual estão em andamento e não há volta. As atitudes negativas em relação à homossexualidade ainda terão eco por muito tempo, mas são contrabalanceadas pela percepção de que é cada vez mais custoso manter de pé velhas barreiras. Constatar e compreender não equivale a incentivar novas opções sexuais, mas não se pode, de forma alguma, ignorar que esta mudança veio para ficar. 
                  O importante é sempre lembrar que acima de tudo está o amor que é o único bem que pode salvar a humanidade. 
Nicéas Romeo Zanchett 
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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O EFEITO DAS DROGAS SOBRE O SEXO

O EFEITO DAS DROGAS SOBRE O SEXO 
Por Nicéas Romeo Zanchett 


               A saúde do corpo e a emoção são os principais responsáveis pelo bom desempenho sexual. No caso do homem, o afeto pela parceira facilita o desejo que é indispensável para a ereção. A ereção é desencadeada pelos neurotransmissores, substâncias que dependem de estímulos neurológicos. A parte física funciona melhor quando existe uma ligação afetiva com a mulher. Portanto, quanto maior o estímulo emocional, melhor será a ereção. 
                 Tanto a saúde do corpo como o afeto pela parceira ficam prejudicados quando se faz uso de drogas. 
                 ÁLCOOL - A bebida alcoólica age diretamente sobre o sistema nervoso central. A primeira dose relaxa, mas prejudica os reflexos. O aumento da concentração de álcool no sangue interfere na sensibilidade. Beber em excesso provoca diminuição da libido e da capacidade de ereção, além de alterar a ejaculação e retardar o orgasmo. 
               DEPRESSÃO - As pessoas deprimidas costumam usar drogas químicas - "remédios", para tratar a depressão. Geralmente o fazem sem orientação médica, e isso é muito grave. 
               O sintoma mais comum de quem está deprimido é a perda do interesse sexual e o comprometimento da ereção. O uso de antidepressivo, principalmente sem orientação, é um grande inibidor da sexualidade. O primeiro passo é procurar um médico para tratar a depressão e depois pensar no tratamento para recuperar o bom desempenho sexual. 
                 DROGAS - (maconha) - influi na redução dos níveis de testosterona e pode afetar  seriamente a libido; (cocaína) seu uso crônico causa danos à musculatura do pênis resultando em disfunção erétil e distúrbios na ejaculação. O ( esctasy ), alucinógeno muito utilizado nas baladas, num primeiro momento funciona como  um excitante sexual. Seu uso contínuo provoca perda de motivação geral, comprometendo o desempenho sexual. 
                    Além das drogas, o estresse e a ansiedade prejudicam seriamente a sexualidade. 
                    ESTRESSE - O estresse é a doença da modernidade. A vida intensa de nossos dias gera inúmeros momentos estressantes; isso, sem sombra de dúvida, vai se refletir na saúde e, consequentemente, na sexualidade. Conflitos profissionais, dificuldades financeiras e problemas familiares são fatores que comprometem seriamente a libido masculina. Em situações de grande estresse o homem não sente desejo e perde o interesse sexual. A situação pode durar longos períodos e, não havendo solução, tende a agravar-se. 
                   ANSIEDADE - A ejaculação precoce não é um problema físico. Todas as causas estão ligadas ao emocional e a ansiedade costuma aparecer em primeiro lugar.  Trata-se da disfunção sexual mais comum entre homens jovens. Não é raro que a ejaculação precoce acabe provocando a ausência total de ereção. O tratamento terapêutico é o mais eficaz. 
                 Muitos homens só procuram o médico quando estão com algum problema sexual. Quando o sexo não vai bem, é sinal de que algo está errado na parte física ou emocional. A falha da ereção pode ser um aviso de que outras artérias estão sendo atingidas. É muito comum a disfunção erétil apontar que o homem tem um problema circulatório. Assim, a obstrução que aparece nos vasos do pênis pode existir nas coronárias. 
                 Procure adquirir o habito de consultar regularmente o seu médico de confiança. A maioria das mulheres já fazem isso, mas os homens, talvez por machismo, se sentem constrangidos diante desse profissional que realmente poderá ajudá-lo. 
Nicéas Romeo Zanchett 
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sábado, 16 de novembro de 2013

A VIDA DEPOIS DA SEPARAÇÃO

A VIDA DEPOIS DA SEPARAÇÃO 

                   Os motivos porque os casais se separam são muito diversificados. O processo de ruptura costuma ser doloroso, mas é mais saudável encerrar um relacionamento que está falido do que viver em atritos diante dos filhos e amigos.  
                   O casamento tem três componentes básicos: os funcionais, os psicológicos e os emocionais. Na hora da separação é preciso cortar esses laços.  
                   Laços funcionais: são os que se criam quando um casal passa muito tempo  junto, mas não há amor. Geralmente esses laços são mais fáceis de serem desfeitos.  
                    Laços psicológicos: geralmente acontece quando um dos parceiros acredita que tem a companhia perfeita, enquanto o outro não se sente satisfeito com a relação. Na hora da separação o primeiro sofre mais e pode ter sérios problemas psicológicos.  
                    Laços emocionais: São os mais fáceis de serem desfeitos. Dizem respeito aos filhos e à vida que, mesmo com dificuldades, levam juntos.  
                    Depois de  constatado que o relacionamento chegou ao fim, o casal  deve concentrar-se na questão da custódia dos filhos e de bens a serem divididos. O ideal é que se mantenha a cabeça fria e que tudo seja resolvido previamente. Assim não haverá grandes conflitos que, na prática, prejudicam psicologicamente os filhos.  

                    A saída de um casamento fica mais fácil quando se faz um planejamento sobre como será a vida que cada um terá a partir daquele momento. Nesse roteiro planejado, os filhos nunca devem ser esquecidos. Eles continuarão a fazer parte da vida dos dois. O primeiro passo é cada um concentrar-se no seu desenvolvimento pessoal e procurar alternativas para expandir seus horizontes, seja na área profissional, seja na área pessoal. 
                    Os sentimentos de mágoa, de culpa e de fracasso pessoal constituem os piores obstáculos à separação. Uma estratégia que pode ajudar é aprender a insensibilizar-se em relação ao medo da mudança, da raiva e da sensação de perda.  
                    As conversas entre o casal que está em fase de separação costumam ser sempre agressivas. Nesse momento é importante que ambos deixem as armas no chão e procurem manter um diálogo de bom nível e respeito mútuo. Trata-se de um momento difícil para os dois. O sentimento de raiva e vontade de lesar um ao outro  não é um bom conselheiro, principalmente quando há filhos envolvidos. A melhor atitude é conversar francamente com os filhos para evitar que seus sentimentos não os contaminem.  Quando um demonstra raiva pelo outro, os filhos percebem e tendem a tomar partido. Isso pode causar severos danos emocionais. Eles não devem jamais serem utilizados como "massa de manobra". Seria o pior dos mundos. 
                    A divisão de bens e objetos é, provavelmente, a etapa mais expressiva da separação. É muito dolorido limpar os armários separando as coisas que eram usufruídas em conjunto. Esse processo pode causar ressentimentos, mas não deve nunca ser adiado. Quando alguns objetos de um continuam na pose do outro  é porque não houve uma separação completa.  
                      Toda a separação tem um momento de revolta e inconformismo. Isso é natural, mas precisa ser encarado de frente. Assumir a própria tristeza é o primeiro passo para livrar-se dos ressentimentos e da raiva. Lembre-se que você é humano e que precisa tocar a vida para frente. A existência de filhos é mais uma motivação. Eles continuarão a contar com seu carinho. 
                      Um caminho para se recompor é passar algum tempo sozinho - em casa ou fora.  Esse período pode trazer bons sentimentos como a de liberdade, alívio e entrada em uma nova fase. Pode até ajudar para um futuro relacionamento com menos influências sobre a carência afetiva.  
                     O segredo para quem quer buscar um novo relacionamento é não ter pressa. Não queira alguém apenas para preencher o espaço vazio deixado pelo antigo parceiro. Há casos em que a retomada de uma identidade pessoal ou social chegam a durar dez anos, principalmente quando o relacionamento anterior era bem estruturado. 
                    Muitos separados precisam de ajuda psicológica. Se houver dificuldade para lidar com a separação, é importante que se busque ajuda, seja de amigos para desabafo, seja de profissionais habilitados - psicólogos.  
                    Lembre-se que a vida continua e pode até ser melhor. Depende de cada um saber encontrar o melhor caminho. 
Nicéas Romeo Zanchett  

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domingo, 3 de novembro de 2013

NA CAMA SOB O COMANDO DAS MULHERES

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NA CAMA, SOB O COMANDO DAS MULHERES 
Por Nicéas Romeo Zanchett
                  Sob pressão social e religiosa, a maioria das mulheres cresceu acreditando que eram frias, que moça direita não pensava em prazer sexual, que só as ninfomaníacas e prostitutas cogitavam de tomar iniciativas durante o ato sexual.  Até hoje, na verdade, fortes marcas dessa crença tomam grande parte do tempo nas consultas de psicólogos, analistas, psiquiatras, sexólogos e terapeutas em geral.  Mesmo mulheres jovens  e modernas costumam revelar, no consultório, que ainda se escandalizam com a própria sexualidade. 
                  Felizmente, hoje, os adultos não mais reforçam a velha ideia de que o papel das meninas é ser cortejada pelos meninos. Em consequência, as novas gerações já vão se acostumando com a ideia de que também as meninas têm perfeitas condições de declarar o que sentem, de fazer a proposta de namoro. O passo seguinte se dá na cama, onde a mulher decide o que deseja de seu homem. Essa nova mentalidade vai se consolidando, contornando os obstáculos ainda existentes e firmando a nova mulher com posição mais ativa para o amor. 
                  Já vai longe o tempo em que todas as mulheres  - ou quase todas - se limitavam  a deitar, abrir as pernas e deixar toda a ação amorosa por conta dos homens. Elas, assustadas e ingênuas, pouco ou quase nada sabiam e simplesmente procuravam não atrapalhar o prazer do parceiro. 
                  Hoje, a relação sexual pressupõe que a mulher também tome a iniciativa. Tanto na hora da conquista como no momento do ato sexual, um número cada vez maior de "belas e frágeis" se recusa ao antigo papel de passividade completa, automática. Embora ainda existam os machistas atrasados no tempo, a maioria dos homens não se queixa. Pelo contrário, até preferem essa divertida divisão de tarefas na hora do sexo. 
                  Os que reclamam, na verdade, sentem alguma nostalgia dos tempos em que a mulher simplesmente pertencia e servia ao homem. Por incrível que pareça, em certas regiões do mundo, mulheres e homens de mentalidade atrasada vivem assim, acomodados a uma rotina cujo prazer é apenas o gozo final que ele consegue o mais rápido possível. 
                  A revolução sexual das últimas décadas, especialmente nas cidades e entre pessoas mais bem informadas, conseguiu sepultar os conceitos desumanos que prevaleciam na vida dos casais. Durante longo tempo não se supunha que a mulher pudesse ter alguma satisfação. Era exatamente o oposto: estava preestabelecido que o jogo do sexo reservava alegrias e gozos só para o homem. A mulher, se quisesse atingir um orgasmo, tinha que recorrer a outros métodos como a masturbação ou com alguma amiga na mesma situação. 
                  Algumas, mais ousadas, até conseguiam desafiar a sociedade nos braços de um amante secreto.  
                  Durante séculos e séculos, milhões de mulheres passaram a vida inteira sem conhecer a menor alegria nos seus contatos sexuais. Muitas estiveram grávidas a maior parte da vida sexualmente ativa. Eram verdadeiras escravas mantidas para o prazer dos homens e a procriação. Não sem razão, essas mulheres simplesmente odiavam qualquer ideia relacionada com o sexo.  Para elas era uma atividade que, na prática, só significava mais bebês e mais trabalho. 
                   Ainda hoje, existem homens perplexos com a nova mulher que o tempo fez surgir. Imaginam que tudo é de sua responsabilidade, pois ele é que tem o pênis e a ereção depende da sua vontade.  Logo, não se pode ter uma relação sexual apenas quando e como a mulher deseja. Muitos até se sentem pressionados e impossibilitados de cumprir a sua parte diante de uma mulher ativa. 
                   Tanto para o homem  como para a mulher, a manifestação recíproca da sexualidade só faz aumentar a auto-estima e a autoconfiança. 
                 O homem moderno, com mente aberta, sente-se feliz em perceber que sua mulher - ou noiva, ou namorada - demonstra a atração física que tem por ele. Por sua vez, a mulher sente-se livre e sem barreiras para manifestar sua sexualidade. 
                  Para a mulher, muito provavelmente, a maior vantagem em assumir o controle do ato sexual está em poder criar o cenário mais satisfatório para ambos desfrutarem do prazer que o sexo pode proporcionar. Mesmo quando a mulher está feliz com sua vida amorosa, surgem ocasiões em que ela deseja um tipo específico de estímulo erótico - ainda que isso signifique usar seu parceiro como objeto sexual.  
                  Ao contrário do que se poderia supor, os homens adoram servir como objeto dos prazeres de suas parceiras. Nessas situações em que a mulher assume o comando da ação, elas acabam escolhendo a posição que mais lhes agrada. Por cima, por baixo, de lado, pela frente ou por trás, cada mulher - assim como qualquer homem - tem a posição que mais lhe dá prazer. Para o homem, que deseja sempre agradar  sua parceira, essas ocasiões até permitem liberar, sem nenhuma diminuição em sua virilidade, fantasias passivas - um certo prazer  oculto, nunca confessado, em desempenhar o papel passivo do ato sexual, sem receio de parecer efeminado ou homossexual. 
                   Quando são levadas a abrir a alma, as  mulheres, começam falando do prazer e excitação que sentem ao comandar a relação sexual. Sentem-se poderosas e com forte sensação de dominadoras, de poderem até estuprar os seus parceiros. No mundo da fantasia, tudo é possível a aceitável. 
                 Não se pode negar que muitos homens ocultam a fantasia de serem possuídos, e também mulheres que ocultam a fantasia de estuprar seus parceiros. Esses exemplares, naturalmente, constituem extremos, embora existam em proporções significativas. 

                  Para o prazer total, sem culpas nem barreiras, vale a regra geral da sensatez. Juntos devem abrir caminhos para descobrir o que mais dá prazer e o que mais desagrada a cada um. 
Nicéas Romeo Zanchett 

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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O SEXO E A GRAVIDEZ - Por Nicéas Romeo Zanchett


O SEXO E A GRAVIDEZ 
Por Nicéas Romeo Zanchett 
                   Durante o período da gravidez, a sexualidade e o relacionamento de um casal podem ser perturbados por diversos fatores físicos e psicológicos. Se o relacionamento não for de boa qualidade, a vida amorosa tende a ficar temporariamente prejudicada. 
                   Muitas pessoas imaginam que a mulher grávida não sente vontade de sexo. As atenções de parentes e amigos são todas dirigidas para a criança que vai nascer e isto pode afetar, emocionalmente e sexualmente, tanto a mãe como o seu parceiro. É importante salientar que durante a gravidez, a mãe transmite todos os sentimentos ao embrião que está crescendo em seu útero e, portanto, se ela estiver infeliz, a criança absorverá essa tristeza. Quando existe receio de um aborto nos primeiros meses de gravidez - principalmente quando isso já ocorreu antes - a mulher fica psicologicamente perturbada e sem disposição para o sexo. Com essa preocupação, ela não consegue descontrair o suficiente para entregar-se ao amor. Por sua vez, o homem  pode absorver essa preocupação e achar que o ato sexual representa um perigo para o andamento natural da gravidez. Quando isto acontece, o casal evita até uma simples carícia, temendo que isso provoque excitação sexual.  
                    A Mulher grávida geralmente engorda muito e perde, temporariamente, parte de seus encantos. Daí surge uma espécie de medo de rejeição por parte do parceiro. Algumas, apesar de ficarem enormes, ainda conservam a beleza e o charme originais. Os peitos crescem, ficam volumosos e os mamilos escurecem, e isto é uma forma de erotismo que atrai muitos homens.  Está comprovado que a maioria dos homens acha suas parceiras ainda mais atraentes quando estão grávidas, principalmente quando eles participam e acompanham ativamente o desenvolvimento do feto.  
                    Durante a gravidez o desejo sexual da mulher varia tanto quanto seu humor. Isto precisa ser compreendido e respeitado pelo parceiro.   
                    Na primeira gravidez, em geral, as mulheres sentem-se menos interessadas em fazer sexo nos primeiros três meses. É uma faze de ajustamentos psicológicos com certa ansiedade sobre o nascimento do primeiro filho. Nesse período acontecem os conhecidos enjoos, cansaços e insônias que a deixam sem disposição para a prática sexual. Entretanto, quem já teve filhos consegue passar por esta faze com naturalidade e raramente sente indisposições ou falta de desejo. Muitas vezes os afazeres domésticos e/ou o trabalho externo a deixam muito cansada e, portanto, sem vontade de fazer amor. É importante que o parceiro colabore para que ela não fique sobrecarregada de afazeres. Uma oportunidade para o homem aprender lavar a louça e cuidar da casa.
                     Em geral, no segundo semestre da gravidez o impulso sexual da mulher aumenta. Algumas chegam a ter maior interesse por sexo do que antes da gravidez. Por outro lado, existem mulheres que no final da gravidez sentem fortes dores nas costas e tem muita azia que, naturalmente, afastam qualquer desejo.  
                      Tanto para a futura mamãe como para o futuro papai, é importante  que haja envolvimento conjunto desde o início da gravidez. O homem deve participar das diversas etapas e acompanhar as transformações do corpo de sua parceira, levando com ela uma vida normal, tal como faziam antes, inclusive tendo relações sexuais até quando isso for confortável para ambos. 
                      Na maioria dos casos não existe restrição alguma em manter relações sexuais, mas é sempre conveniente conversar com o médico para receber orientações adequadas. Cada caso tem suas próprias características que justificam a importância dessas orientações. 
                     Os períodos que compreendem os primeiros três meses e os três últimos devem receber mais atenção. Observar se existe algum sangramento e sempre comunicar ao médico. Nos últimos meses é preciso mais cuidados, pois podem ocorrer sangramentos ocasionais pela pressão do pênis sobre o bebê que estará com a cabeça na altura da pélvis e voltada para a saída. 
                     Algumas vezes, após o nascimento do bebê, a vagina perde seu tônus muscular. Isso é facilmente resolvido com orientação médica e com exercícios que consiste em tensionar a bacia e os músculos da região. É preciso ter em mente que não se trata de nada absurdo. Ao contrário, faz parte da preparação que a vagina teve para um parto natural. 
                     O retorno à atividade sexual costumeira deve ser gradativo e suave. O homem precisa ter sensibilidade para perceber o quanto é possível avançar. 
                     Se a mulher foi submetida a uma episiotomia (incisão na região do períneo, entre o ânus e a vagina), sofreu algum rasgão ou se sente muito dolorida, podem optar por fazer amor sem penetração, pelo menos nas primeiras vezes. Também é aconselhável o uso de géis lubrificantes. A escolha da posição mais adequada, também pode ajudar, principalmente aquelas em que possibilitam menor penetração. Uma coisa indispensável é sempre procurar a orientação do seu médico de confiança.  
                    O corpo humano tem enorme capacidade de recuperação e logo tudo volta ao normal, permitindo que o casal retome suas relações como antes. 
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Nicéas Romeo Zanchett 
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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

RESERVE TEMPO PARA O AMOR


RESERVE TEMPO PARA O AMOR 
Por Nicéas Romeo Zanchett 
                Vivemos dias de muita agitação, medo e angústias. Fica difícil estabelecer um equilíbrio entre o que damos e o que recebemos. O tempo passa e não aproveitamos. Se casamos, temos filhos, tédio e a pergunta inevitável: será que isso mesmo que deveríamos ter feito? Nessas ocasiões sonhamos com outra vida e até com outro parceiro. Se não casamos, vivemos insatisfeitos com a nossa solidão. Imaginamos que o casamento poderia resolver tudo, mas o medo sempre está presente e fazendo perguntas que não sabemos responder. 
                 A verdade é que não sabemos aproveitar o que as inúmeras possibilidades de viver feliz nos oferecem. Temos medo de nos entregar, do ridículo, da rejeição, do arrependimento e assim ficamos sofrendo por antecipação. 
                 Amar pode ser muito simples e ao mesmo tempo muito complicado. 
                 Se construímos uma vida cheia de obrigações, acabaremos tendo um comportamento amoroso ao nível do necessário e do dever, e isto é péssimo. 
                 Precisamos perder o medo de ter prazer. O prazer da vida a dois é um direito que temos de redescobrir a tempo. 
                  A vida sexual se ressente muito com os deveres do dia-a-dia. Sem sentir, caminhamos para a mediocridade e o tédio. Aos poucos desaprendemos a qualidade de ter vontade de fazer coisas que gostamos pelo simples prazer, e não pelo que elas representam a longo prazo. 
                   Ser feliz é, antes de tudo, saber amar para ser amado. Deixar de se preocupar com o medo de ser ridículo, infantil e fazer tudo o que dá prazer e que, muitas vezes, ficou esquecido no tempo. Vamos juntos sentir o sol, a natureza, o perfume das flores e o som do mar. 
                   O relacionamento amoroso é uma permanente descoberta. Mas, para que as melhores descobertas aconteçam, precisamos perder o medo de julgamentos e até do que pensa o próprio parceiro. É esse receio que nos faz permanecer parados, imobilizados na rotina. A rotina de anos iguais nos faz esquecer as nossas vontades. Chega um momento em que é preciso mudar para voltar a viver. Nunca devemos nos convencer de que nossos desejos secretos são criancices  que devemos manter apenas na fantasia.  
                   Muitas vezes é preciso um choque radical para redescobrirmos as paixões adormecidas. Parar a rotina e reencontrar a vontade de descobrir novos caminhos. Aquela capacidade que todos perdemos na medida em que nos tornamos adultos e somos engolidos pelas responsabilidades. O novo sempre exige ousadia. É preciso ser explorador do mundo e da vida, em casa ou fora dela. No amor, no trabalho e até no relacionamento com os outros, existem possibilidades de viver que nunca se esgotam. Cada um deve descobrir o que é melhor para si e, "porque não", para seu parceiro ou parceira. Não existem bulas padronizadas e só você poderá descobrir novas maneiras de viver o amor que é só seu. 
Nicéas Romeo Zanchett 
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